| SUS em Risco |
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| Postado por José Jesus Nogueira | ||||
| segunda, 02 de abril de 2007 | ||||
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Não é novidade, muito menos surpresa, o diagnóstico que o Banco Mundial fez para a doença que aflige o Sistema Único de Saúde: deficiência de gestão. Assustador é que o relatório do Bird, fortemente crítico em relação aos procedimentos formais e burocratizados - que compõem o que o estudo chama de "gerenciamento legalista" - e à falta de autonomia de gestores locais e diretores de hospitais - que em muitos casos sequer têm o poder de demitir ou contratar-, levanta a hipótese de que a ineficiência geral, a qualidade precária do atendimento e o aumento de custos acabem simplesmente inviabilizando o SUS. Os exemplos citados no estudo justificam o tom pessimista. Incluem, por exemplo, a demora, em alguns hospitais, de mais de cinco meses para que se realize um simples processo de compra de material. É conhecida ainda a influência de outros fatores, como o notório corporativismo, o descontrole e mesmo a corrupção em diversas instituições. Foi o que ficou claro no caso recente do hospital do Rio, onde se verificou que funcionários recebiam sem assinar o ponto; médicos se recusavam a atender no setor de emergência, e assim por diante. Tudo isso é prova de deficiência de gestão, e seu preço é pago pela população que não tem condições de contratar planos de saúde e precisa de um atendimento público decente. Ou seja, a maioria. É auspicioso que a modernização da gestão seja bandeira, faz tempo, do atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Por certo que o problema global não se resuma à administração de hospitais públicos. Há precariedade na infra-estrutura de saneamento em áreas carentes, falta de esclarecimento da população, inexistência de postos para onde se possam dirigir aqueles que precisam de atendimento, mas não de serviço de emergência de um hospital, e muitos outros fatores compondo o problema. Não é questão simples.
Mas, para ser resolvida, é preciso dotar o SUS de um mínimo de eficiência. Maior autonomia nos diversos níveis, estabelecimento e cobrança rigorosa de metas de qualidade e eficiência. Em suma: profissionalização, fiscalização severa da gestão, transparência e controle - precisamente o que propõe o Banco Mundial e tem sido defendido pelo ministro da Saúde. (O Globo / Editorial)
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